Patched — 10 Segundos A Canidelo Orquidea
(MARIA toca a pétala uma última vez. Puxa o fio azul entre os dedos e, por um instante, o tecido parece pulsar como pele antiga. Ela solta o fio; ele volta ao lugar.)
(MIGUEL observa a costura; há um pequeno fio azul perdido entre as fibras da pétala.)
(MARIA fecha os olhos. Uma gaivota grita. O mar responde. Dez segundos passam; algo muda — não grandioso, apenas exato: uma folha se abre, uma semente solta, um suspiro.)
MIGUEL (encostado no portão, mão no regador) Diz-se que as coisas que sobrevivem a um remendo acabam por dizer mais do que o inteiro. 10 segundos a canidelo orquidea patched
Título: 10 segundos a Canidelo
MARIA E a memória de uma rua que sabia o meu nome antes de eu lembrar do meu.
ORQUÍDEA Crescer é aceitar que há pontos que precisam de sutura. E que a sutura pode virar desenho. (MARIA toca a pétala uma última vez
MARIA (sorrindo, quase surpresa) Dez segundos — como se um relâmpago decidisse ficar.
(Luz quente. Som de ondas ao longe. MARIA segura um vaso pequeno, com uma orquídea cujo pétala tem um remendo — uma mancha branca costurada com linha azul.)
ORQUÍDEA (voz suave, sem corpo visível) Chamas têm pressa; remendos aprendem a esperar. Uma gaivota grita
Fim.
MARIA Perder a história. (ela ri) Não. Fico com o remendo. É mapa das viagens.